quarta-feira, 29 de junho de 2016

Germinados de brócolos poderão prevenir recidivas de cancros da cabeça e pescoço

by Gabriel Mateus
HNC
A grande maioria dos carcinomas da cabeça e pescoço surge a partir de células do revestimento epitelial do trato aerodigestivo superior. A histologia mais comum é ocarcinoma de células escamosas (CCE). Anatomicamente, os cancros de cabeça e pescoço são heterogéneos e surgem na faringe (incluindo nasofaringe, orofaringe e hipofaringe), cavidade oral, cavidade nasal, laringe e esófago cervical. Estes cancros são geralmente agressivos e de difícil tratamento.

Em Portugal existem cerca de 2500 novos casos de cancro da cabeça e pescoço (CCP) todos os anos. A exposição a substâncias cancerígenas representa o principal fator de risco de CCP, dos quais o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas contribuem para mais de 70% de todos os casos da doença. Outros fatores de risco incluem:
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    Fumo passivo ;
  • Infeção pelo vírus do papiloma humano (HPV);
  • Baixo índice de massa corporal(IMC) 
  • História familiar de cancro 
De acordo com o Consórcio  Epidemiológico Internacional de Cancro da Cabeça e Pescoço(INHANCE), poderão existir outros fatores de risco relacionados com alimentação:
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    O consumo de vegetais(excluindo batatas) está associado a uma diminuição de 34% no risco de CCP;
  • O consumo de saladas mais de7 vezes por semana está associado a um risco inferiorde CCP;
  • O consumo de batata está associado a um aumento de risco em 24%, especialmentebatatas fritas;
  • O consumo de fruta está associado a uma diminuição de 48% no risco de CCP, especialmente citrinos, maçãs e pêras;
  • As carnes vermelhas estão associadas a um aumento de 40% e as carnes processadas de 37% no risco de CCP;
  • O consumo de ovos está associado a um aumento de 44% no risco de CCP.
  • O consumo de alho está associado a uma diminuição de 26% no risco de CCP ;
  • O consumo de cebola está associado a uma diminuição de 31% no risco de cancro da laringe;
  • O consumo de alimentos ricos em vitamina E está associado a uma diminuição de 41% no risco de cancro oral e da faringe e 33% no risco de cancro da laringe;
  • O consumo de alimentos ricos em carotenóides está associado a umadiminuição de 39% no risco de cancro oral, da faringe e da laringe ;
  • O consumo de alimentos ricos em vitamina C está associado a uma diminuição de 46% no risco de cancro oral e da faringe e 48% no risco de cancro da laringe .
A combinação de uma dieta pobre em vegetais e frutos com um consumo rico em carne, tabaco e álcool pode mesmo levar a um risco 20 vezes superior de cancro oral e da faringe.
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As pessoas que sobrevivem a um CCP têm um risco superior de um segundo cancro primário (SCP) naboca ou pescoço, o que infelizmente é muitas vezes fatal. É por isso extremamente importante identificar estratégias que possam diminuir esse risco e aumentar as probabilidades de sobrevivência. Um estudo recente que inclui modelos in vitro, in vivo e em humanos, sugere que extrato de germinados de brócolos poderá ajudar a prevenir recidivas em sobreviventes de CCP .

Esforços anteriores de encontrar fármacos que consigam prevenir recidivas de CCPnão têm sido bem sucedidos, o que levou investigadores do centro de cancro UMPC a procurar soluções quimopreventivas com produtos obtidos a partir de plantas e seus extratos. Para isso a equipa liderada pela Dra. Julie Bauman trataram 10 voluntários saudáveis com sumo de fruta misturado com extrato de germinados de brócolos, rico em sulforafano. Os voluntários não tiveram efeitos secundários do extrato e alterações protetoras foram detetáveis nos revestimentos das suas bocas, significando que foiabsorvido pelos tecidos em risco.
De forma a investigarem os efeitos quimiopreventivos do sulforafano nos CCP, os investigadores examinaram o seu impacto na sinalização de NRF2 (proteína que regula a expressão de genes responsáveis por antioxidantes que protegem as células de danos oxidativos) em células epiteliais normais e 4 linhas de células de carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço. Além disso, determinaram os efeitos do sulforafano nas proteínas reguladoras da apoptose, incluindo a STAT3. Estudaram os efeitos quimiopreventivos do sulforafano em modelo animal assim como o estudo-piloto acima descrito.
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De acordo com os resultados observados, o sulforafano foi capaz de ativar a sinalização de NRF2, inibir a fosforilação de STAT3 e inibir a formação de tumores orais induzidos por 4NQO. Os resultados deste estudo fornecem a primeira demonstração pré-clínica que o sulforafano protege contra cancro oral induzido por carcinogéneos.
Estes resultados são suficientes para dar início a um estudo clínico que irá recrutar 40 voluntários tratados ao CCP. Estes voluntários irão tomar cápsulas de sementes de brócolos em pó para verificar se tem efeito na prevenção de cancros orais.
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Os brócolos fazem parte da família das crucíferas. As crucíferas pertencem a uma família de vegetais com características únicas, responsáveis pelas suas conhecidas propriedades quimiopreventivas. Estes vegetais são assim chamados pelo facto de a flor de cada um deles ter pétalas espaçadas simetricamente em forma de cruz. Aquilo que os distingue dos outros vegetais passa por serem uma fonte privilegiada de uma classe específica de fitoquímicos, os glicosinolatos. Quando as paredes das suas células se partem, ao serem esmagados ou cortados, dá-se uma reação química através da exposição à enzima mirosinase que converte estas substâncias em moléculas como os isotiocianatos (ITC) e indóis.
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O sulforafano apresenta várias propriedades importantes na proteção contra o cancro,tais como:
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sulforafano forma-se a partir da glicorafanina, presente em grandes quantidades nos brócolos. Para que se dê a reação química que dá origem ao sulforafano, a glicorafanina tem de entrar em contacto com a mirosinase, o que acontece quando se corta, tritura ou esmaga os brócolos. No entanto, outra substância presente nestes vegetais, a proteína epitioespecificadora (ESP), desvia essa reação dando origem ao sulforafano nitrila, o qual não tem valor bioativoconhecido (Matusheski and Jeffery, 2001).  O sulforafano nitrila é o principal produto da hidrólise da glicorafanina. Os brócolos e outros vegetais da espécie Brassica oleraceaproduzem nitrilas, o que já não acontece com outros membros das brássicas, tais como orábano, a mostarda branca e a raíz-forte, as quais só formamisotiocianatos (Matusheski et al., 2004).
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forma de preparar os brócolos e outras crucíferas, tem um grande impacto sobre a presença e a biodisponibilidade destes fitoquímicos. Os glicosinolatos, precursores destas substâncias bioativas, são sensíveis ao calor e forma de confeção. Basta cozinhar em microondas durante 5 minutos para haver uma perda de 74% na concentração de glicosinolatos nos brócolos. Cozer em água durante 3 minutos resulta numa perda de 55,3% e de cerca de 18,6% de glicosinolatos a libertarem-se para a água. Por outro lado, cozer a vapor durante 3 minutos permitiu manter intactos cerca de 97,7% dos glicosinolatos (Vallejo et al., 2002).

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mirosinase, enzima fundamental para a formação de sulforafano, é também sensível ao calor. Cozinhar as crucíferas antes de permitir a hidrólise dos glicosinolatos resulta numa perda significativa desses componentes e todos os benefícios associados. Uma das estratégias passa por consumir crucíferas cruas. No entanto, como vimos antes, se cortamos ou mastigamos brócolos crus, por causa da presença de ESP, obtemos maior contentração de sulforafano nitrila. Uma vez que a ESP também é sensível ao calor, sendo mais sensível do que a mirosinase, quando aquecemos os brócolos a 60 graus durante 5 a 10 minutos, desativamos a ESP sem desativar a mirosinase, o que resulta na formação de sulforafano (Matusheski et al., 2004).
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Curiosamente, a mirosinase presente nos germinados de brócolos mostram ter maior resistência ao calor do que os brócolos maduros (Matusheski et al., 2004). Mesmo quando chegamos a temperaturas como os 100 graus, obtemos sulforafano, o que significa que se trata de uma forma mais eficaz e prática de o fazer. Além disso, os germinados têm entre 20 a 50 vezes mais glicosinolatos do que brócolos maduros (Fahey et al., 1997). A ESP nos germinados de brócolos tem o seu pico de atividade no 2º dia de germinação e diminui no 5º dia, pelo que haverá vantagem emcolher os germinados só a partir desse dia (Williams et al., 2008).
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Existem também outras formas de garantirmos uma maior formação de sulforafano a partir de brócolos maduros. Cozinhar a vapor durante 3 minutos, garantindo que não cortamos as flores antes de os cozinharmos, permite a formação de sulforafano, evitando o sulforafano nitrila (Wang et al., 2012).
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Outra das formas consiste em cozer a vapor os brócolos maduros inteiros durante o tempo que se queira e acrescentar no fim sementes de mostarda em pó, uma vez que estas são uma fonte estável de mirosinase (Ghawi et al., 2013). Também é possívelcombinar na mesma refeição brócolos cozidos com crucíferas cruas, como couve roxa, rúcula, rabanete, agrião ou outros. Uma das brássicas mais resistentes ao calor é o rábano Daikon. A mirosinase contida na raíz de rábano Daikon tem maior resistênciaao calor, existindo formação de sulforafano mesmo quando aquecida a 125 grausdurante 10 minutos (Dosz and Jeffery, 2013).
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Embora a forma mais eficaz de se obter sulforafano a partir de brócolos seja garantindo que exista mirosinase disponível para a hidrólise dos glicosinolatos, o glicorafano pode ser em parte convertido em sulforafano no intestino grosso pela microbiota. Cerca de 10 a 20% de metabolitos de sulforafano podem ser encontrados na urina depois de se ingerir brócolos sem mirosinase, apenas pela ação das bactérias presentes no intestino grosso (Shapiro et al., 1998).
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domingo, 26 de junho de 2016

Flores comestíveis na horta


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Quando as flores também são para comer



O brócolo, a couve-flor e a alcachofra são flores que nos habituámos a considerar comestíveis, ao invés de ornamentais. Mas agora a conversa é outra: depois da visão, do olfacto e até do tacto, é a vez do paladar usufruir das propriedades do gerânio, da violeta ou da capuchinha, entre outras flores.



UTILIZAÇÕES CULINÁRIAS:



Amor-perfeito: Pode ser usado tanto nas saladas como para decorar as sobremesas.



Borragem: As flores, quando frescas, têm um tom azul e, quando mais velhas, passam para rosadas. São usadas em saladas.



Calêndula: As pétalas podem ser misturadas com ao arroz, ao peixe, à sopa, e aos queijos, iogurtes e omeletas, dando uma coloração como a do açafrão. É, ainda, utilizada como corante de manteiga e queijo.

Camomila: Usada para decorar saladas e pratos, assim como para fazer chás.
Capuchinho: Flores, folhas e semente têm um gosto apimentado.
Cebolinha: Usada em saladas.

Cravina: As flores podem incorporar saladas, torta de frutas, sanduíches, e ainda para aromatizar vinagres, açúcar e vinho. Quando açucaradas, podemos enfeitar bolos. O corante extraído é muito usado em confeitaria.

Flor de abóbora: As flores podem ser consumidas fritas, empanadas em ovo e farinha, ou ainda recheada de queijo forte. Combina com sopa.

Girassol: Os botões florais são cozidos, servidos como espargos, e as flores em saladas. Gerânio: Muito utilizado em saladas.

Murta: As suas pétalas podem ser usadas em salada de fruta.

Rosas: Têm inúmeras utilizações. As pétalas conferem um sabor suave até mesmo em pratos fritos, como a tempura de pétalas de rosas, uma entrada a oriental. Rosa de Jericó: Usada em saladas e a cor de vinho para escurecer o vinho.

Viola odorata: Quando fresca acrescenta-se às saladas. Cristalizada é usada para decoração de bolos, pudins e sorvetes.

Verbena-limão: As suas flores são muito usadas para aromatizar vinhos, recheios, aves, conservas e sobremesas, além do seu uso nos licores franceses. 

Movimento Novos Rurais

Pessoas mais livres, plenas e felizes 




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Flores comestíveis são usadas na culinária para uma grande variedade de propósitos: para cozinhar, para servir de moldes para doces, saladas, decorações ou até para o prato principal. Descubra quais flores são seguras para o consumo humano e conheça algumas ideias para o seu uso.

pétalas de rosa




As pétalas de rosa há muito que são usadas em infusões e conservas. Agora são ingredientes de eleição para sobremesas e conferem um sabor suave e muito agradável a pratos fritos, como a tempura de pétalas de rosas, uma entrada deliciosa e rica em vitaminas.



capuchinha




capuchinha, ou flor de nastúrcio, muito decorativa, de gosto levemente picante e rica em vitamina C, combina na perfeição com saladas. Nativa do Peru, foi introduzida na Europa no final do século XVI e hoje é cultivada em todo o mundo.



calêndula




Já na Idade Média, a calêndula, originária do centro e sul da Europa e da Ásia, era cultivada nas hortas, desidratada e utilizada como corante em caldos, queijos amarelos, manteiga e bolos. As suas pétalas são utilizadas frescas em saladas, em crepes ou no arroz, em substituição do açafrão.



amor-perfeito




Nativo da Europa e Ásia Ocidental, o amor-perfeito contagiou o mundo inteiro. Além de lhe serem atribuídas propriedades diuréticas, é muito requisitado para saladas e sobremesas.



flor de borago




flor de borago, oriunda do norte de África, é secularmente conhecida por possuir efeitos benéficos sobre o corpo e a mente. Deve ser sempre utilizada fresca, uma vez que perde as suas propriedades depois de seca, e marca presença frequente em saladas ou em bolos e sobremesas.



begônia, tulipa, alfazema, gerânio




begônia, a tulipa, a alfazema e o gerânio são também contempladas nesta seleção, e as suas utilizações variam consoante a imaginação e a experiência dos cozinheiros, tendo sempre em conta as suas características – no fundo, tal como se utiliza qualquer outro ingrediente em culinária.



Agora que já sabemos tudo sobre elas, vamos aprender uma receita deliciosa com uma dessas flores, a 'amor-perfeito':

Salada light de flores


Ingredientes:

1 folha de alface mimosa roxa 
1 folha de alface americana
4 folhas de radiccio di Verona (uma variedade de chicória) 
1 unidade de manga 
6 unidades de morango 
6 pétalas de amor-perfeito
          
Vinagrete de maracujá 
100 ml de óleo de oliva 
50 ml de suco de maracujá
30 ml de água 
1 colher (café) de sal 
1 colher (café) de pimenta 

Como preparar:

Lave bem as folhas e as rasgue em pedaços. Para começar a montar, utilize o radiccio nas laterais do prato, dispondo todas as folhas, uma ao lado da outra, de modo a formar uma estrela. Corte a manga em dados. Corte os morangos em pedaços. Organize os dados de manga e morangos, espalhando-os sobre as folhas. Regue com vinagrete. Decore com as pétalas de amor-perfeito.

Vinagrete: bata os ingredientes no liquidificador.


sexta-feira, 10 de junho de 2016

Receita de Sabonete Esfoliante de Aveia – Passo a Passo

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Os sabonetes artesanais são ótimos para a pele e excelentes para gente vender e ganhar um dinheiro extra. Eles podem ser simples ou conter ingredientes que enriquecem a fórmula base, como ervas, extratos de plantas e óleos vegetais. A receita que vamos ensinar hoje, leva dois ingredientes que são sucesso na saboaria artesanal, a aveia em flocos e óleo de coco de babaçu.

Esse sabonete esfoliante tem vários benefícios para a pele, ajuda na renovação celular, hidrata e nutre. Se você deseja sair do banho com aquela sensação agradável de pele limpa e hidratada, então não deixe de fazer essa maravilhosa receita, garanto que será sucesso em casa e entre os seus clientes.
Veja também:

Materiais Necessários

Confira abaixo todos os ingredientes e materiais de apoio que você vai precisar para fazer cerca de 500 gramas de sabonete esfoliante de aveia.

Ingredientes

  • 500 gramas de base glicerinada branca
  • 30 ml de essência de aveia
  • 20 ml de óleo de coco de babaçu
  • 50 ml de lauril líquido
  • 4 colheres de sopa de aveia em flocos grandes
 Material de apoio

  • 1 panela esmaltada
  • 1 espátula
  • 1 faca
  • 1 dosador de líquidos (becker)
  • Forma retangular de madeira
  • Plástico para forrar a forma
  • Fogão elétrico
  • Fuê culinário
 Passo a Passo

Passo 1. Derreta a base glicerinada

Coloque a glicerina cortada em cubos em um caneco ou panela esmaltada. Leve a panela para o fogão elétrico, acompanhe o processo de derretimento, do começo ao fim. Quando  a glicerina estiver líquida, retire-a do fogão.

Passo 2. Acrescente ingredientes para enriquecer o sabonete

Em seguida, acrescente o óleo, a essência e o lauril líquido, mexa bem. Acrescente então a aveia, nosso ingrediente esfoliante.

Passo 3. Bata a base com um fuê (batedor de claras)

Depois de juntar a aveia, mexa tudo com um fuê para que a base fique aerada e a aveia fique por todo o sabonete. Quando você perceber que a base está na consistência de mingau, pare de mexer com o fuê e continue mexendo com a espátula por alguns segundos.

Dica: Esta técnica é utilizada sempre que você quiser fazer sabonetes artesanais que tenham ingredientes esfoliantes por toda a parte. Nesse processo, a aveia natural pode ser substituída por ervas ou sementes desidratadas, desde que sejam suaves o bastante para a pele. 

Passo 4. Despeje a base na forma

Forre uma forma com um plástico limpo, despeje a base que você preparou. Espere o sabonete secar por algumas horas antes de desenformar.

Dica para evitar as bolhas no sabonete: tampe a panela com um pano e deixe a mistura descansar antes de virar na forma. Fazendo isso, as bolhas de ar vão estourar o os sabonetes ficarão lisinhos e com um ótimo aspecto.

Passo 5. Desenforme e corte os sabonetes
Desenforme o sabonete de aveia. Com a faca, corte a barra em fatias mais ou menos do mesmo tamanho. Depois, é só embalar os sabonetes que você fez com o plástico streche ou celofane.


FRUTA, VEGETAIS E FIBRA NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA PODERÃO DIMINUIR RISCO DE CANCRO DA MAMA EM IDADE ADULTA


                Fruta, vegetais e fibra na infância e adolescência poderão diminuir risco de cancro da mama em idade adulta
cancro da mama é o segundo cancro mais comum no mundo e, de longe, o mais frequente entre as mulheres, com cerca de1,67 milhões de casos diagnosticados em2012 (25% de todos os cancros). As taxas de incidência variam entre as diferentes regiões do mundo, com taxas que vão desde27 casos em 100000 em África e na Ásia até 92 casos em 100000 nos EUA.
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O cancro da mama é a 5ª causa de mortede cancro no mundo, representa a 2ª causa de morte de cancro nas regiões mais desenvolvidas (15,4%), logo a seguir ao cancro do pulmão. Em pouco menos de metade dos casos, a doença é fatal, sendo a primeira causa de morte de cancro nas mulheres, perfazendo 14% de todos os casos de morte por cancro em todo o mundo.
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Alguns dos fatores de risco conhecidos para o cancro da mama estão relacionados com o estilo de vida, nomeadamente o álcool, o peso corporal, a atividade física e a amamentação. Muitos dos estudos que existem disponíveis e que procuram identificar fatores de risco relacionados com alimentação são contraditórios. Isso deve-se provavelmente em parte pelo facto de participarem quase sempre mulheres adultas nesses estudos.
Pouco ainda se sabe sobre os efeitos de uma exposição precoce no risco de cancro da mama. No entanto, alguns estudos têm sido publicados recentemente que nos podem ajudar a conhecer melhor essas associações. O próprio painel científico responsável pelo relatório “Food, Nutrition, Physical Activity and the Prevention of Cancer” diz estar impressionado pelas evidências que mostram a importância dos acontecimentos do início de vida, incluindo a dieta assim como fatores que afetam o estatuto hormonal, na modificação do risco de cancro da mama.
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Recentemente um estudo sugere que as adolescentes que comem mais frutapoderão ter um risco inferior de cancro da mama em idade adulta (Farvid et al., 2016). O estudo incluiu perto de 90000 enfermeiras seguidas ao longo de 22 anos. De acordo com os resultados, aquelas que comeram 3 peças de fruta por dia tiveram um risco 25% inferior de cancro da mama décadas depois, quando comparado com adolescentes que comeram meia peça de fruta ou menos.
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Quando os investigadores analisaram as frutas individualmente observaram que um consumo superior de maçã, banana e uvas estavam de forma significativa associado a um risco inferior de cancro da mama. Não se observou nenhuma associação entre sumo de fruta e o risco de cancro.
Os autores consideram que a fruta poderá proteger contra o cancro pelo facto deserem ricos em carotenóides, vitamina C, flavonóides, fibra, magnésio e potássio. Todos estes componentes poderão interferir com mecanismos biológicos do cancroimpedindo que se desenvolva.
O que já se sabia antes do estudo:
  • O consumo de frutos e vegetais poderá ser protetor contra o cancro da mama, mas as evidências são contraditórias;
  • A maior parte dos estudos baseiam-se em consumos na meia-idade e posterior, o que poderá ser após o período em que o tecido mamário é mais vulnerável a influências externas.
O que este estudo acrescenta:
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  • O consumo de fruta durante a adolescência parece ser benéfico na prevenção do cancro da mama;
  • Um consumo elevado de frutos e vegetais ricos em alfa-caroteno durante o início da idade adulta está associado a um risco inferior;
  • Os frutos e vegetais com uma associação mais significativa a uma redução no risco de cancro da mama foram: maçã, laranja, uvas e couve kale.
Estudos anteriores nos quais se procurou identificar a relação entre o consumo de frutos e vegetais e o risco de cancro da mama obtiveram resultados contraditórios:
  • O estudo EPIC, que inclui cerca de 330000 mulheres de 10 países europeus, não encontrou nenhuma relação entre o consumo de frutos e vegetais e o risco de cancro da mama (Bradbury et al., 2014).
  • Uma análise que incluiu 993466 mulheres de 20 estudos de coorte, sugere o consumo de vegetais está associado a uma redução modesta no risco de cancro da mama sem recetores de estrogénio (Jung et al., 2013).
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As participantes desses estudos eram sempre mulheres adultas, o que pode explicar a ausência de uma associação clara. Estudos com mulheres que sobreviveram aos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki e a tratamentos com radiação mostram que a exposição durante a infância e adolescência estão associados a um risco superior de cancro, uma vez que durante este período o tecido mamário poderá ser particularmente sensível a exposições cancerígenas. Por outro lado, o risco de cancro da mama por radiação é mais fraco em mulheres com mais de 30 anos no momento da exposição (Land et al., 2003,Wahner-Roedler et al., 2003).
A maior parte dos estudos epidemiológicos avaliam exposições durante a idade adulta, mas muito poucos examinam períodos mais precoces. As evidências mais recentes têm mostrado que as exposições durante os períodos mais precoces da vida, em conjunto com a composição genética, poderão ser importantes para o desenvolvimento de cancro em idade adulta (Potischman and Linet, 2013).
Outros estudos têm mostrado como certos alimentos têm maior impacto para o risco de cancro da mama quando são consumidos durante a infância e adolescência:
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  • Um estudo prospetivo que seguiu 90534 mulheres ao longo de 20 anos concluiu que o consumo de fibra na adolescência e em jovens adultos está associado a uma diminuição de 25% no risco de cancro da mama (Farvid et al., 2016). De acordo com o estudo, por cada 10 gr de fibra consumidos diariamente nesse período, existe uma diminuição de 13% no risco de cancro da mama. Um dos mecanismos que poderá explicar essa associação é o facto da fibra poder diminuir os níveis de estrogénio em circulação.

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  • Os efeitos protetores da soja relativamente ao risco de cancro da mama são mais significativos quando existe um consumo regular durante a infância e adolescência (Shuet al., 2001Korde et al., 2009Lee et al., 2009). Um estudo de caso-controlo que incluiu 73223 mulheres chinesas sugere que o consumo regular de soja na adolescência está associado a um risco 43% inferior de cancro da mama em idade adulta (Lee et al., 2009). Outro estudo de caso-controlo sugere que o consumo regular de soja na infância está associado a um risco 60% inferior de cancro da mama em idade adulta (Korde et al., 2009).
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  • Um estudo que inclui 29480 enfermeiras sugere que consumir 2 ou mais porções de frutos secos por semana na adolescência, está associado a uma diminuição de 25% no risco de Doença Benigna da Mama (DBM) (Su et al., 2010). Mulheres com DBM têm um risco superior de cancro da mama.
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  • Um estudo prospetivo que seguiu mais de 88000 mulheres na fase anterior à menopausa ao longo de 20 anos, concluiu que o consumo de carnes vermelhas na adolescência está associado a um aumento de 22% no risco de cancro da mama. Cada porção diária adicional de carne vermelha está associado a um aumento de 13% no risco de cancro da mama. Os autores do artigo referem que a exposição às carnes vermelhas e processadas entre a primeira menstruação e a primeira gravidez poderá ser mais importante no desenvolvimento do cancro da mama (Farvid et al., 2014). Além disso verificaram que o risco de cancro da mama era menor em mulheres que substituíram as carnes vermelhas por leguminosas durante a juventude, sugerindo que isso se deva ao facto destes alimentos serem ricos em fibra e fitoestrogénios, ambos fatores protetores em relação a este cancro. Os autores também referem um estudo no qual se verifica que substituir uma dieta rica em gordura e proteína animal por uma dieta rica em gordura e proteína vegetalpode diminuir os níveis de estrogénio em circulação em mais de 40%(Carruba et al., 2006).
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A pesquisa sobre o papel da dieta na adolescência e na pré-adolescência é muito promissora e representa uma mudança de paradigma na pesquisa sobre o cancro. Esta mudança tem o potencial de produzir conhecimento que permita criar estratégias de prevenção pela alimentação nesses períodos de vida, em vez de outros períodos mais tardios (Mahabir, 2013). O que alguma evidência tem sugerido é que quanto mais cedo se introduzirem padrões alimentares protetores, maior eficácia há na prevenção de cancros mais tarde na vida. Afinal, é de pequeno que se deve comer o pepino!
 Referências:
1.
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