segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Alguns dos principais estudos dos últimos meses sobre prevenção do cancro

 

by Gabriel Mateus
Sunset-Summer-Desktop-wallpaperAgora que o Verão está a chegar quase ao fim, convém relembrar os principais estudos publicados nos últimos meses com especial relevância para a prevenção do cancro (baseado num artigo da AICR):
1. Será o cancro apenas uma questão de sorte?
Business, Political and Lifestyle CartoonsNo princípio deste ano um estudo foi publicado na revista Science com o título "Variation in Cancer Incidence Among Tissues Can Be Explained By the Number of Stem Cell Divisions" [zotpressInText item="{GGSHKC9X}" etal="yes"]. A comunicação social rapidamente converteu os resultados deste estudo em parangonas que sugeriam que afinal era a sorte e não o estilo de vida que influenciava o risco de cancro. No entanto, essa conclusão é precipitada e não está de acordo com o que o estudo nos diz e as suas limitações. Várias instituições de saúde pública vieram a público esclarecer essas dúvidas e relembrar que embora exista sempre um fator aleatório nos processos que levam ao cancro, o estilo de vida tem uma grande influência no desenvolvimento da doença (AICR, WCRF, IARC, ACS).
Food cancermechanismsO que o estudo encontrou foi uma correlação entre o risco de alguns cancros e o número de divisões celulares observadas nesses tecidos. Por outras palavras, quanto mais vezes se dividem as células de um certo tecido corporal ao longo da vida, mais probabilidades temos de vir a ter um cancro desse tipo. No entanto, o estudo não inclui vários tipos de cancro muito comuns, como a próstata e a mama, além de só ter analisado a população norte-americana, pelo que torna-se difícil inferir um resultado que abranja toda a população mundial. Além disso, o facto de poder haver uma mutação genética numa célula, isso não significa que necessariamente leve ao desenvolvimento de um cancro. Os fatores externos que criam condições para que essa célula pré-cancerosa chegue a ser um tumor clinicamente observável, podem muito bem estar dependentes de fatores de risco externos, como dieta, peso corporal e exercício físico. Em resumo: de acordo com as melhores evidências disponíveis, o cancro depende de fatores de risco externos que podemos modificar.
 
2. Atividade física antes de um diagnóstico de cancro colorretal poderá melhorar a sobrevivência.
being-physically-active-decreases-risk-of-these-cancersJá se sabia que o exercício físico diminui o risco de cancro colorretal, mas um novo estudo sugere que poderá também ser importante na sobrevivência após um diagnóstico da doença [zotpressInText item="{CRJ78V2R}" etal="yes"]. Este estudo incluiu cerca de 1300 sobreviventes de cancro colorretal aos quais foi perguntado qual a frequência de exercício físico praticado antes do diagnóstico. Os resultados sugerem que quanto mais atividade maior a probabilidade de sobrevivência. Quando comparados com aqueles que faziam o equivalente a uma caminhada de menos de 1 hora por semana, os sobreviventes que fizeram o equivalente a caminhadas de 1 a 2,5 horas, viram o seu risco de morte diminuir cerca de 50%. O equivalente a 5 a 10 horas de caminhada por semana estava associado a uma diminuição na mortalidade de cerca de 70%.
 
3. Bebidas açucaradas associadas a maior mortalidade.
d10af4c2995ea5707ae317cb9082c584Uma nova análise que quantificou os efeitos das bebidas açucaradas nas 3 principais causas de morte em todo o mundo, concluiu que estas bebidas contribuíram para cerca de 184000 mortes em todo o mundo em cada ano, das quais cerca de 6000 foram de cancro [zotpressInText item="{FGET3IR7}" etal="yes"]. Poderão também ter contribuido para 133000 mortes de diabetes e 45000 de doenças cardiovasculares. Dos 20 países com mais população, o México tem a taxa de mortalidade mais elevada devido ao consumo destas bebidas com cerca de 405 mortes por cada milhão de habitantes. Logo a seguir surgem os EUA, com 125 mortes por milhão de habitantes. O estudo reforça os efeitos poderosos para a saúde que tem remover este elemento da dieta, independentemente de outras alterações que se façam.
 
4. Boa forma física em homens de meia-idade poderá diminuir o risco de cancro colorretal e do pulmão.
old_man2Um estudo que incluiu cerca de 14000 homens com mais de 40 anos concluiu que aqueles que estavam em melhor forma física tinham um risco 55% inferior de ter cancro do pulmão e 44% inferior de cancro colorretal [zotpressInText item="{XKE4ND8H}" etal="yes"]. Entre aqueles que desenvolveram cancro do pulmão, colorretal ou próstata com mais de 65 anos, um nível de forma física superior estava associado a um risco 32% inferior de morte por cancro e 68% inferior de morte por doença cardiovascular, quando comparados com homens com uma forma física baixa.
 
5. Beber chá poderá diminuir o risco de mortalidade precoce.
Taste-Of-Black-TeaUm estudo que incluiu cerca de 1000 mulheres com idades superiores a 75 anos, sugere que o consumo de chá e outros alimentos ricos em flavonoides está associado a um risco inferior de morrer de cancro e doença cardiovascular, entre outras causas [zotpressInText item="{MSHEXT5P}" etal="yes"]. As participantes com uma ingestão superior de flavonoides tiveram um risco 40% inferior de morte ao longo de 5 anos, quando comparadas com aquelas que tinham uma ingestão inferior.
 
6. Fatores de risco metabólicos poderão (também) aumentar o risco de alguns cancros.
01tDe acordo com um estudo que incluiu cerca de 565000 participantes europeus acompanhados ao longo de 12 anos, a pressão arterial elevada, o peso e os níveis de açúcar no sangue, estão entre as condições metabólicas que aumentam o risco de cancro [zotpressInText item="{8JXKPBET}" etal="yes"]. Estes fatores fazem parte de uma constelação de fatores de risco conhecida como a síndrome metabólica, da qual fazem parte também o colesterol e os triglicéridos.  Uma combinação de pressão arterial elevada, níveis elevados de açúcar no sangue, triglicéridos, colesterol e IMC elevados, está particularmente associada ao risco superior de cancro do fígado e do rim nos homens, e do endométrio e pâncreas na mulher.
 
7. O excesso de peso na adolescência poderá estar associado a um risco superior de cancro colorretal décadas mais tarde.
3735357215_822bf1c152Um estudo que utilizou dados de dois estudos de grandes dimensões (Nurses' Health Study e o Health Professionals Follow-up) concluiu que mulheres que tiveram excesso de peso em criança tiveram um risco 28% superior de cancro colorretal em idade adulta. Aquelas que tinham excesso de peso na adolescência tiveram um risco 27% superior, quando comparadas com aquelas que eram mais magras nessas idades [zotpressInText item="{26NSI9PA}" etal="yes"]. Outro estudo sugere que o excesso de peso em adolescentes do sexo masculino está associado a um risco 2,08 vezes superior de cancro colorretal em idade adulta e a obesidade está associada a um risco 2,38 vezes superior [zotpressInText item="{DCJFWVVC}" etal="yes"].
 
8. Novos relatórios sobre o cancro do fígado e da vesícula biliar.
Os dois mais recentes relatórios do WCRF/AICR sobre o cancro do fígado e da vesícula biliar concluem que:
liver-coffee
 

Sem comentários:

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...