domingo, 4 de maio de 2014

Mais do que 7 porções/dia de vegetais e frutos poderá ser mais eficaz na prevenção de cancro

Mais do que 7 porções/dia de vegetais e frutos poderá ser mais eficaz na prevenção de cancro

Existe hoje um consenso em relação ao papel de uma dieta baseada em vegetais na prevenção do cancro e de outras doenças não transmissíveis. A recomendação em termos gerais tem sido de se tentar consumir 5 porções de vegetais e frutos diariamente para se conseguirem obter benefícios para a saúde. No entanto, esta recomendação pode mostrar-se insuficiente em número e em qualidade.
A recomendação de se consumirem 5 porções diárias de frutos e vegetais (400 gr.) foi estabelecida em 1990 pela OMS, baseada na evidência de que quantidades superiores eram protetores contra a doença cardiovascular e alguns cancros. Essa recomendação levou a campanhas generalizadas a promover o consumo de 5 porções por dia em vários países como Portugal, Reino Unido, França, Alemanha ou EUA. Em 2005, a Austrália lançou a campanha “Go for 2+5“, que recomenda que se consumam 2 porções de fruta e 5 de vegetais (675 g no total).
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Um estudo recente analisou os hábitos de alimentação de mais de 65000 habitantes do Reino Unido entre 2001 e 2013, concluindo que quanto mais vegetais e frutos consumiram, apresentaram menos probabilidades de morrer em qualquer idade. De acordo com os resultados do estudo, por cada porção diária de vegetais e frutos existe uma diminuição no risco de cancro e doença cardiovascular. No entanto, a maior proteção e diminuição do risco acontece a partir das 7 porções, o que pode significar que as 5 porções sejam insuficientes.
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Acima das 7 porções, de acordo com o estudo desenvolvido na University College London (UCL), o risco de morte em qualquer momento da vida, diminui 42% quando comparado com o consumo de menos de uma porção diária. Acima dessa quantidade, o risco de cancro e de doença cardiovascular diminuiu 25% e 31% respetivamente. O estudo também mostrou que os vegetais têm mais benefícios para a saúde do que os frutos. De facto, certos vegetais têm uma concentração privilegiada de substâncias com propriedades quimiopreventivas, tais como os isotiocianatos das crucíferas ou as isoflavonas presentes na soja.
Este é o primeiro estudo que relaciona o consumo de frutos e vegetais com a morte de cancro e doença cardiovascular numa população representativa de uma nação, o primeiro a quantificar benefícios por porção e a identificar os tipos de vegetais e frutos com maiores benefícios.
Quando comparado com menos de uma porção diária, os investigadores descobriram que o risco de morte foi reduzido em:
  • 14% se o indivíduo ingerir entre uma e três porções de frutas, verduras e legumes por dia;
  • 29% entre três e cinco;
  • 36% entre cinco e sete;
  • 42% para sete ou mais.
7adayEstes resultados foram ajustados tendo em consideração o sexo, idade, tabagismo, classe social, Índice de Massa Corporal, educação, atividade física e consumo de álcool. O estudo refere que por cada porção diária de legumes frescos o risco de morte prematura diminui 16%. Cada porção de fruta reduziu 4% o risco de morte. 
Além das diferenças relacionadas com a quantidade, os investigadores descobriram também que além do sumo de fruta não ter representado benefícios, a fruta em lata pareceu aumentar o risco de morte em 17%. Este aumento está provavelmente relacionado com o facto destes frutos conservados em calda serem demasiado ricos em açúcar. O mesmo acontece com o sumo, o qual, mesmo quando se trata de sumo caseiro, tem um índice glicémico muito alto, o que já não acontece quando a fruta é consumida inteira.
Ideias-chave deste estudo:
  • O consumo de vegetais e frutos está inversamente relacionado com a mortalidade de cancro e doença cardiovascular.
  • Aqueles que consomem 7 ou mais porções diárias apresentam o risco mais baixo de mortalidade de qualquer causa.
  • O consumo de vegetais, saladas e frutos frescos ou secos está fortemente associado a uma mortalidade inferior.
  • Os vegetais apresentam mais propriedades protetoras do que os frutos.
  • Fruta enlatada parece aumentar o risco de morte prematura.
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Referências:
 
 

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