segunda-feira, 8 de julho de 2013

Esteva

 
 
Com uma distribuição semelhante à azinheira, a esteva é um elemento fundamental das paisagens mediterrânicas com solos ácidos, formando matos densos que constituem a etapa mais baixa da sucessão ecológica provocada pelos incêndios e sobre pastoreio.
 
TAXONOMIA
A esteva (Cistus ladanifer L.) pertence à família Cistaceae. Esta contém 8 géneros e mais de 160 espécies. São um elemento importante dos matos existentes nos ecossistemas dos climas mediterrânicos, principalmente nos solos não calcários onde são muitas vezes a espécie dominante.

CARACTERÍSTICAS GERAIS E MORFOLÓGICAS
 
É uma planta perene de crescimento rápido. Tem usualmente um porte arbustivo, podendo atingir alturas de 2.5 m, ainda que normalmente não ultrapasse os 2 m.
As folhas são inteiras, compridas e estreitas alcançando 10 cm de comprimento e 1.5 cm de largura. Estão desprovidas de estípulas, têm uma inserção oposta e estão agrupadas aos pares. As folhas não possuem pelos na página superior mas estão cobertas de pelos estrelados na inferior. Quando são jovens, estão fortemente impregnadas de uma substância pegajosa, denominada ládano, que tem um aspeto brilhante e se cola às mãos e roupa. As folhas velhas têm uma coloração grisalha.
As flores são solitárias e grandes, podendo ter 10 cm de diâmetro. Possuem 3 sépalas e 5 pétalas de cor branca, podendo ter por vezes uma coloração púrpura na sua base. Cada flor individual dura apenas um dia, existindo, no entanto, uma longa sucessão destas.
O fruto é uma cápsula globosa com 7-10 compartimentos.
 
 
OCORRÊNCIA
 
Ocorre em toda a região mediterrânica ocidental e ilhas Canárias. É muito abundante no Alentejo e Algarve e nas regiões espanholas da Extremadura, Serra Morena, Andaluzia e Castela.

PREFERÊNCIAS AMBIENTAIS
 
Ocorre sobre solos ácidos não calcários como os graníticos, quartzíticos e xistosos, principalmente nos mais degradados. No que diz respeito à altitude, pode ser encontrada desde o nível do mar (habitando inclusivamente as areias das praias) até aos 1000 m. É muito resistente à seca ocorrendo mais em zonas soalheiras que nas umbrias. São plantas bastante resistentes ao vento, mesmo ao marítimo.
Do ponto de vista de jardinagem, não reage muito bem aos cortes de ramos, particularmente nos indivíduos mais velhos. São igualmente muito sensíveis a perturbações nas suas raízes.
 
 
A ESTEVA NO ECOSSISTEMA
 
A esteva é um elemento fundamental das paisagens de regiões com solos ácidos, formando matos densos que constituem a etapa mais baixa da sucessão ecológica provocada pelos incêndios fortes e demasiadamente frequentes e pelo sobre pastoreio.
A sua distribuição é muito semelhante à da azinheira (Quercus ilex spp rotundifolia), ocupando o espaço da última quando ocorrem incêndios de grande intensidade. O aumento da altitude e o aparecimento do carvalho negral (Quercus pyrenaica) em detrimento da azinheira leva à substituição da esteva por outra cistácea muito parecida: o Cistus laurifolius, que, como o nome indica, tem folhas muito parecidas às do loureiro (Laurus nobilis).
Pelas características edáficas dos seus locais de ocorrência, e esteva é um indicador biológico da degradabilidade dos solos.
As suas flores são muito atrativas para as abelhas que as polinizam.
Cruzam-se com muita facilidade com outras espécies do género, formando híbridos.

CURIOSIDADES
 
As espécies pertencentes à família das cistáceas são muito empregues na jardinagem por terem flores muito bonitas e delicadas que perdem as pétalas com facilidade, formando, por vezes, um tapete colorido ao redor dos locais onde se encontram.
O nome do género da esteva - Cistus - tem a ver com o facto de os seus frutos serem cápsulas globosas com 7 a 10 compartimentos. Etimologicamente vem do grego "ciste", que significa caixa, cesto.
O epíteto específico da esteva - ladanifer - vem do facto de ela produzir a resina denominada ládano cuja abundância lhe permite competir com outras espécies visto que parece inibir o crescimento destas - esta estratégia é denominada alelopatia. A resina serve também para proteger a planta contra a dissecação.
O método de colheita da planta para fins medicinais era muito curioso. Utilizavam-se rebanhos de cabras que se colocavam a pastar em zonas de grande densidade de esteva. De seguida, penteava-se o pelo e barba dos animais para recolher a resina. O resultado final consistia numa resina (ládano) aromatizada com um odor, nada agradável, a cabra.
 
 
 
UTILIZAÇÕES
 
A resina (ládano) da esteva era antigamente empregue com fins medicinais, sendo-lhe atribuídas propriedades sedativas. Era um dos constituintes dos emplastros régios que se julgava serem eficientes na cura das hérnias e tratamento de doenças nervosas.
Atualmente é utilizada na perfumaria como fixador de perfumes (prescindindo-se, por razões óbvias, do método dos rebanhos de cabras).
 
por Nuno Cruz António
 
 
 

A Esteva e os seus benefícios

 
A Esteva e os seus benefícios
 
A Esteva é uma planta selvagem com uma flor lindíssima. É, aqui no Alentejo, chamada de mato, praga e de tudo mais que é ruim para quem tem um terreno e o quer manter limpo.
Cresce por todo o lado sem pedir licença e não se acanha. É só uma pessoa se descuidar e fica com o térreo infestado de Estevas.

Cá no Alentejo, pelo menos na zona vivo, a Esteva é usada para acender as lareiras. Quando está seca, é como pólvora. Acende que é uma maravilha, e disso eu posso garantir. Também é das lenhas, que eu conheço, que mais aquece mas tem um senão, arde muito depressa.
Manter um lume a Esteva não é fácil pois tem-se de estar constantemente a alimenta-lo. Por isso a Esteva é mais usada como uma “acendalha” natural.

Já há empresas transformadoras que convertem a Esteva, e outros matos, em granulado para a nova geração de recuperadores de calor. Outras fabricam adubos, chamam-lhe adubos naturais.

Mas as qualidades desta planta não ficam por aqui. Vão muito mais além.

Segundo o conhecimento popular, a Esteva tem propriedades que muitos desconhecem. Este é um conhecimento que se vai perdendo, por isso, vale a pena transmiti-lo.

Por incrível que pareça, todos as partes da Esteva podem ser usadas para fins medicinais.

Uma das formas é de fazer chá. Consoante a parte da planta, assim o seu uso:

• Os Pompos são usados para os diabetes e ácido úrico;

• As Flores e as Pétalas usam-se para a diarreia, acalma o estômago, combate o colesterol e a fraqueza e ajuda nas constipações;

• A Rama usa-se para o ácido úrico;

• As Sementes, para combater a iterícia (envolver as sementes num pano, atar e fazer o chá).

Por ingestão das sementes pode-se desparasitar (das lombrigas).

As lavagens com água de cozedura também têm os seus benefícios:

• As Folhas com resina são usadas para atenuar as dores de ossos;

• A Rama é usada contra a queda de cabelo e para o tratamento das hemorroidas;

• As Sementes, para purificar o sangue, contra infeções internas e curar golpes (feridas).
           
Por estas razões, e outras, não acabem com todas as Estevas. Ao limparem um terreno, deixem um cantinho para o mato.
 

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