domingo, 26 de maio de 2013

Trigo

                             
 
Etimologia
O port. esp. trigo, respectivamente de 1112 e de 964 (no português arcaico a forma triigo), é o lat. triticum, 'trigo'. O it. grano, frumento, fr. blé, c. 1080, e o ing. wheat, al. Weizen, ambos do séc. IX, de origem germânica, traduzem o port. esp. trigo.
 
Conceituação
O trigo é um cereal da família das gramíneas (ver), do gênero triticum, que compreende cerca de 24 espécies, das quais as mais extensivamente cultivadas são T. aestivum e T. durum.
É o cereal mais importante na alimentação humana, nas regiões de clima temperado. O arroz, seu mais próximo concorrente, e o milho predominam nas regiões tropicais.
 
Características
A planta tem raízes fasciculadas, comos eretos, cilíndricos, com cinco a sete nós sólidos e internos ocos na maioria das variedades. As folhas são lineares, simples, paralelinérveas, com bainhas que, em geral, cobrem cerca de 2/3 do colmo, com aurículas e lígulas. A inflorescência é uma espiga, com espiguetas sésseis.
Cada espigueta consiste de duas brácteas estéreis ou glumas, e duas a cinco flores.
Cada flor tem duas glumas: a lema e a pálea, três estames e um pistilo, e duas pequenas lodículas na base.
O fruto é uma cariopse, pequena, seca, indeiscente, com uma única semente, fino pericarpo, embrião e endosperma. Tem cor vermelha, branca ou intermediária, quando o endosperma é vítreo, a cor é mais escura; quando farinhoso, mais clara.
A planta é anual, com ciclo de cerca de 90 a 180 dias, conforme o ambiente e o genótipo. O porte vai de 20cm a cerca de 2m de altura. Há variedades que necessitam de frio, sem o que não completam seu ciclo e outras cuja floração depende da duração do dia.
 
 
                                            Trigo
 
Cultivo
As grandes regiões produtoras de trigo estão nas zonas de clima temperado e chuvas, as moderadas. Fazem-se culturas nas planícies para facilitar o uso de máquinas.
Entre os principais alimentos do mundo, o trigo é o que menos necessita de água.
O excesso de chuvas, aliado a temperaturas elevadas, favorece moléstias e pragas. As maiores zonas produtoras estão na antiga URSS, nos EUA e Canadá, na Europa ocidental, no sudeste da Austrália, nos vales do Indo e do Ganges, na Índia e no Paquistão, nos pampas da Argentina, no norte da China e no vale do Nilo.
Quanto ao ciclo, há dois tipos de trigo: o de primavera, plantado na primavera e colhido no verão, e o de inverno, plantado no outono e colhido no fim da primavera e no verão.
Os trigos de inverno são plantados nas regiões de inverno moderadamente frios. com verões secos e quentes. Plantados no outono, recebem logo chuva e neve, a qual, com o degelo, ao chegar a primavera, supre o solo lentamente de água.
Os trigos de primavera são plantados nas regiões de clima temperado e frio rigoroso, onde o trigo não resistiria ao inverno, principalmente quando não tem a proteção da neve. São plantados também nas regiões onde o inverno é ameno, pois, em geral, não dependem do frio para completarem seu ciclo. Mais próximo aos trópicos e também perto do ártico, plantam-se trigos de primavera.
 
Utilização Como Alimento
A parte do trigo usada na alimentação humana é o endosperma do fruto, que se transforma em farinha, pela operação da moagem, baseada no grau diferente de friabilidade do endosperma, da casca e do embrião. Enquanto o endosperma submetido a pressão quebra-se em partículas cada vez menores, a casca e o embrião fragmentam-se menos, e podem ser separados por peneiragem, para constituírem o farelo, utilizado nas rações para animais domésticos, especialmente bovinos e aves.
 
Quanto mais branca a farinha de trigo, menos casca e embrião contém; mas os teores mais elevados de vitaminas, sais minerais, proteínas e gorduras estão no embrião e na casca. Daí ser a farinha integral mais nutritiva, embora seja escura e de mais difícil conservação, por seu conteúdo de enzimas.
 
A proteína da farinha de trigo é o glúten, que determina a qualidade do pão, tornando-o macio, além de contribuir para seu valor alimentício. A farinha tem uns 12% de proteína; o restante é principalmente amido.
 
Há vários tipos de trigo: duros, médios, moles e um tipo especial, da espécie Triticum durum para massas alimentícias, como o macarrão.
 
Os trigos duros são mais ricos em glúten e de maior força, servindo, especialmente, como corretores ou melhoradores dos trigos moles, assim chamados pela qualidades fraca de seu glúten, sendo os médios os intermediários. Os trigos moles produzem farinha melhor para bolos, biscoitos, tortas etc.
 
Histórico
O desenvolvimento e progresso da humanidade, estão intimamente ligados à história do trigo.
Escavações arqueológicas no sul da França e na Suíça descobriram grãos de trigo fossilizado junto a ossos humanos. Esses achados e muitos outros provam que, já em tempos pré-históricos, o trigo era alimento básico do homem.
 
A utilização do trigo começou quando, em algumas regiões do mundo, o homem deixou de ser o nômade que colhia os vegetais a medida que os encontrava, passando ao plantio ordenado de cereais. Acredita-se que as civilizações e o cultivo de grãos surgiram quase ao mesmo tempo, e talvez um em decorrência do outro.
 
Os cientistas acham que o trigo foi cultivado pela primeira vez, entre os rios Tigre e Eufrates, na antiga Mesopotâmia (atual Iraque). Em 1948, o cientista norte-americano Robert Braindwood descobriu sementes de trigo no Iraque que datam de aproximadamente 6700 a.C. Os dois tipos de trigo encontrados por Braindwood são muito semelhantes, em diversos aspetos, ao trigo cultivado atualmente.
 
A bíblia faz frequentes referências à produção, uso, armazenamento e doenças do trigo. Por ela, ficamos sabendo que o trigo foi um importante alimento na Palestina e no Egito. Teofrasto, filósofo grego que viveu por volta de 300 a.C., escreveu sobre diversos tipos de trigo que cresciam em toda a bacia do mediterrâneo.
 
O trigo era plantado na China muito tempo antes do nascimento de Cristo.
 
Em Roma, o trigo era o cereal nobre, preferido pelos ricos, enquanto os pobres e os escravos tinham que contentar-se com a cevada. Da região mediterrânea, o grão foi levado para o resto da europa e, na Alemanha, Dinamarca, Suécia, Noruega e Finlândia foi gradualmente substituindo outros cereais usados na alimentação.
 
O trigo chegou à América na época dos descobrimentos, quando Colombo trouxe algumas sementes da europa, em 1493. Hernando Cortês introduziu o cereal no México em 1519. De lá alguns missionários o levaram para os atuais estados norte-americanos do Arizona e Califórnia.
 
 
Gérmen de trigo
 


Obtém-se o gérmen de trigo como produto inalterado, mediante a moedura de trigo inteiro. São minúsculos depósitos naturais de  vitaminas com elevado teor nas do grupo B e na vitamina E (a-tocoferol). Contém também vitamina K, pró-vitamina A e D, a substância ativa cutânea F e a vitamina B12, anti anémica, assim como aminoácidos biológicos de grande valor, ácidos gordos não saturados minerais em combinação orgânica de absorção fácil, entre os quais fosfato a 50%, além de manganésio, manganês, cobalto e cobre, com oligoelementos.

Em 100 gr. temos 30% de proteínas, 9% de óleo de gérmen, 38% de amido e açúcar e 5,5% de sais minerais.

As vitaminas B1, B2, amido do ácido nicotínico, vitamina E, vitamina B6, vitamina H (biotina), vitamina H´(ácido paraminobenzóico), ácido fólico e numerosas enzimas e auxonas estão presentes em teores excecionalmente elevados.

As proteínas, fibra (que promove a saúde intestinal, coronária e pode prevenir o peso excessivo) e esteróis vegetais. É uma boa fonte de ácidos gordos não saturados como ómega 3, gordura saudável que pode ajudar a baixar os níveis de colesterol nefasto LDL (lipoproteína de baixa densidade).

O gérmen de trigo é benéfico na diabetes, uma vez que a vitamina E reduz os níveis açúcar no sangue e a vitamina B1 tem efeitos semelhantes aos da insulina, normalizando assim o metabolismo dos diabéticos. As auxonas identificadas no gérmen são responsáveis pelo crescimento, multiplicação e regeneração dos tecidos e células que acontece principalmente durante o sono, pelo que o consumo do gérmen é também indicado em casos de doenças nervosas como insónias, esclerose múltipla e esgotamentos. Já o ácido pantoténico é indicado para as enfermidades da pele, como secura, caspa, acne ou eczema, razão pela qual o óleo de gérmen de trigo é muitas vezes utilizado na cosmética comercial e caseira, por exemplo, usado simples para máscaras faciais de prevenção de rugas e hidratação.
 
 14 receitas com Gérmen de trigo

receita de pasta de cereal para o pequeno-almoço

Infelizmente o trigo tem sido uma planta que tem sido geneticamente modificada em alguns países como os Estados Unidos da América: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/agencia-governamental-canadiana-contra-trigo-geneticamente-modificado-1156445

Neste momento assiste-se a uma grande manifestação das pessoas em todo o Mundo contra os alimentos geneticamente modificados  pelos quais é responsável em grande parte a empresa Norte Americana Monsanto: http://www.sul21.com.br/jornal/2013/05/marcha-internacional-contra-a-monsanto-carta-entregue-ao-governo-do-estado-do-rs/
 
 
Espelta


A espelta é um grão cuja antiga herança traça bem antes de muitos híbridos de trigo.

Muitos dos seus benefícios advêm do seguinte facto: oferece um espectro mais amplo de nutrientes em comparação com muitos dos seus primos mais puros da família do Triticum (trigo). A espelta apresenta uma série de diferentes nutrientes. É uma excelente fonte de vitamina B2, uma boa fonte de manganês, e uma boa fonte de niacina, tiamina, e cobre. Esta combinação especial de nutrientes que ela nos fornece pode torná-la num alimento especialmente útil para as pessoas com enxaqueca, arteriosclerose, ou diabetes.

Reduzir o risco de arteriosclerose

Preocupado com a arteriosclerose? Aumente a ingestão de espelta. Este grão antigo é uma boa fonte de niacina, que possui inúmeros benefícios aos fatores de risco cardiovascular. A niacina pode ajudar a reduzir o colesterol total e os níveis de lipoproteína. A lipoproteína, ou Lp, é uma molécula composta de proteína e gordura que é encontrada no plasma sanguíneo e é muito semelhante ao colesterol LDL, mas é ainda mais perigoso, pois tem uma molécula adicional de proteína adesiva chamada apolioprotein, o que torna Lp mais capaz de se prender às paredes dos vasos sanguíneos.

A niacina pode também ajudar a prevenir os radicais livres da oxidação do LDL, o que só se torna potencialmente nocivo às paredes dos vasos sanguíneos após a oxidação. Por último, a niacina pode ajudar a reduzir a agregação plaquetária, a aglutinação das plaquetas que juntas podem resultar na formação de coágulos sanguíneos. Dois gramas de farinha de espelta irá fornecer 24,0% do valor diário para a niacina.

A fibra também pode ajudar a reduzir os níveis totais de colesterol e do tipo LDL. A presença de fibras contribui igualmente para uma potencial redução de colesterol soletrado. A fibra liga-se aos ácidos biliares que são usados para fazer o colesterol. Aquela que não é absorvida, e que sai do corpo nas fezes, leva os ácidos biliares, tornando-os menos disponíveis para a produção de colesterol.

Benefícios significativos cardiovasculares para mulheres na pós-menopausa

Comer uma porção de grãos inteiros pelo menos seis vezes por semana é uma ideia favorável para as mulheres na pós-menopausa, com níveis elevados de colesterol, pressão arterial elevada ou outros sinais de doença cardiovascular (DCV).

Prevenção dos cálculos biliares

Comer alimentos ricos em fibras insolúveis, como a espelta, pode ajudar a que as mulheres evitem os cálculos biliares.
Estudar a ingestão de fibras em geral e tipos de fibras consumidos fez com que os pesquisadores descobrissem que aquelas que consomem um maior número de fibras (solúveis e insolúveis), tinham um risco 13% menor de desenvolver cálculos biliares, comparadas com as mulheres que consomem o mínimo de alimentos ricos em fibras.

Fibra de cereais integrais e frutas de proteção contra o cancro da mama

Quando os investigadores olharam para a quantidade de fibra consumida em 35.972 participantes do sexo feminino, no Reino Unido, encontraram uma dieta rica em fibras de cereais integrais, como a espelta, e frutas que oferecem uma proteção significativa contra o câncer de mama, para as mulheres pré-menopáusicas.

Cereais e frutas de fibra de proteção contra o cancro da mama na pós-menopausa

Resultados de um estudo prospetivo, envolvendo 51.823 mulheres pós-menopáusicas com uma média de 8,3 anos, demonstrou uma redução de 34% no risco de contrair cancro da mama para aquelas que consomem mais frutas e fibra em comparação com aquelas que consomem menos. Além disso, no subgrupo de mulheres que já utilizaram reposição hormonal, aquelas que consomem mais fibra, especialmente fibra do cereal, obtiveram uma redução de 50% no risco de contrair câncer de mama, em comparação com aqueles que consomem o mínimo.

Cereais integrais e peixe são altamente protetores contra a asma na infância.

Quase 20 milhões de americanos sofrem de asma, o que acaba por ser responsável por 14 milhões de dias de escola perdidos em crianças, e um custo económico anual de mais de US $ 16,1 bilhões.
O aumento do consumo de grãos integrais e de peixe pode reduzir o risco de asma na infância por cerca de 50%, sugere o Estudo Internacional de Asma e Alergias na Infância.

Características que promovem a saúde a um nível igual ou até superior ao das frutas e legumes

Uma pesquisa mostra que os grãos inteiros, como a espelta, contêm muitos fito nutrientes poderosos, cuja atividade foi reconhecida agora, já que os métodos de investigação se têm esquecido deles.
Apesar do fato de que durante anos os investigadores mediram o poder antioxidante de uma ampla variedade de fito nutrientes, têm geralmente medido apenas o "livre" forma destas substâncias, que se dissolvem rapidamente e são imediatamente absorvidas pela corrente sanguínea. Não olharam ao "limite" de formulários, que estão ligados às paredes das células vegetais e devem ser libertados pelas bactérias intestinais durante a digestão antes que possam ser absorvidos.

Proteção Cardiovascular

Um tipo de fito nutriente especialmente abundante em grãos inteiros, incluindo escritos são lignanas vegetais, que são convertidos pela flora amigável em nossos intestinos lignanas em mamíferos, incluindo um chamado enterolactone que protege do câncer da mama e outros cânceres hormono-dependentes, bem como das doenças cardíacas.

Além de grãos integrais, as nozes, sementes e frutos são fontes ricas em lignanas vegetais e produtos hortícolas, frutas e bebidas como café, chá e vinho. Quando os níveis sanguíneos de enterolactone foram avaliados em mais de 800 mulheres pós-menopáusicas num estudo, as mulheres que comem grão mostraram maiores níveis desta lignana no sangue significativamente mais elevados. As mulheres que comeram o repolho e folhas de legumes também mostraram ter níveis de enterolactone mais elevados.
 

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